O projeto de Arquitetura e as Salas de Telecomunicações

 

 

 

 

A procura pelo imóvel ideal, a falta de áreas urbanas centrais disponíveis para novas construções e o alto custo cobrado pelo metro quadrado da construção civil vem provocando reflexos tanto na locação como na venda de espaços corporativos e residenciais.

Um dos maiores desafios para arquitetos e engenheiros, frente a essa nova realidade do mercado imobiliário é a otimização de espaços, criação de ambientes funcionais, colaborativos e integrados. O aproveitamento dos espaços deve ser maximizado em benefício da necessidade do cliente, buscando reduzir ao máximo o custo de novas implantações, expansões ou posteriores mudanças.

Na contramão dessa realidade, percebe-se que algumas áreas ou setores são colocados em segundo plano, ou por que não dizer, esquecidos quando feito o projeto de arquitetura do ambiente de trabalho.

O setor de telecomunicações é um bom exemplo dessa realidade e não é raro notar que geralmente são destinados como espaço banheiros desativados, depósitos ou pequenas áreas ociosas como vãos embaixo de escadas. Tudo isso, indo em direção contrária à crescente dependência tecnológica das empresas.

Existem no Brasil duas normas da ABNT que tratam do cabeamento estruturado para edifícios comerciais e data centers e que tratam dos caminhos e espaços para cabeamento estruturados (NBR 14.565 e NBR 16.415 respectivamente) além das normas internacionais ANSI/TIA e ISO/IEC, adotadas em sistemas de cabeamento estruturado, que servem como base para a construção desse artigo, que tem por objetivo esclarecer os principais aspectos dos espaços destinados às telecomunicações com foco em projetos de médio porte, em lajes corporativas de edifícios comerciais multifuncionais, ocupando de 1 a 3 pavimentos com área total de até 2.000 m².

 

O que são Espaços de Telecomunicações?

 

As telecomunicações constituem um ramo da engenharia elétrica que contempla o projeto, a implantação, a manutenção e o controle de redes de sistemas de comunicações.

Para gerar um melhor fluxo na comunicação entre os usuários de uma rede de computadores, é necessário que haja vários dispositivos e sistemas como servidores, roteadores, firewall, centrais telefônicas e centrais de CFTV conectados de uma maneira que permitam que a comunicação aconteça de maneira limpa e sem ruídos.

Para isso, é necessária a criação de espaços adequados, arejados e projetados para esse fim e não a utilização das áreas “esquecidas”, como citado anteriormente nesse artigo.

 

Os Espaços de Telecomunicações que precisam de mais atenção são as Salas de Equipamentos (ER) e as Salas de Telecomunicações (TR):

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Sala de Equipamentos:

É a área onde são colocados grande parte dos equipamentos de telecomunicações essenciais para atividades dos ocupantes, como pabx, servidores, roteadores, switches core, DVR/NVR, terminações de cabos e distribuidores.
Na prática, são diversas as situações de projetos de Sala de Equipamentos, como por exemplo, se o usuário possui apenas um pavimento, é comum ela também exercer a função de Sala de Telecomunicações.

 

 

 

Sala de Telecomunicações:

É o espaço que interconecta através do backbone, os cabos vindos da Sala de Equipamentos com o cabeamento horizontal e as estações de trabalho do pavimento em que ela está instalada.

Aplicabilidade:

Recomenda-se uma sala de telecomunicações em cada pavimento, porém as estações de trabalho em pavimentos adjacentes poderão ser atendidas por uma única sala, principalmente se tiverem baixa densidade de estações.

É recomendado também que esteja localizada mais próximo possível do centro da área a ser atendida e da prumada do edifício. Equipamentos e infraestrutura não relacionados a telecomunicações não podem ser instalados, atravessar ou entrar nesse espaço (por exemplo: canalização de água, gás, esgoto, etc.).

Em casos onde não é possível instalar uma sala de telecomunicações, é comum que sejam instalados gabinetes e racks, porém deve-se manter especial atenção e cuidado para que não sejam instalados racks abertos, pois não oferecem proteção física adequada ao cabeamento estruturado e equipamentos instalados.

Na instalação de racks, manter um espaço mínimo de 90 cm em todas as suas faces, principalmente quando houver a necessidade de manipulação e reparos e atentar para a implantação do controle de climatização quando houverem equipamentos ativos instalados.

 

 

Como dimensionar Salas de Equipamentos e Telecomunicações:

 

No item 7.7.2.3 da ABNT NBR 16.415:2015, recomenda-se que salas que contenham distribuidores tenham dimensões mínimas de 3m x 3m e para atender até 500 tomadas de telecomunicações, as dimensões exigidas são 3,2 m x 3 m.

No caso de salas de telecomunicações que atendam mais de 500 tomadas, o tamanho mínimo deve ser incrementado em 1,6 m na dimensão paralela à fileira do rack e/ou gabinetes para cada grupo adicional de 500 tomadas, de modo a oferecer espaço para hardware de conexão, equipamentos, bem como outros componentes.

Até 500 tomadas.
Entre 501 e 1000 tomadas.

 

 

 

De acordo com a ABNT NBR 16.415:2015 todos os espaços de telecomunicações devem obedecer aos seguintes critérios:

 

1.   Devem ser adequadamente iluminados e livres de poeira. A iluminação deve ser no mínimo de 500 lux no ponto de terminação;

2.   Recomenda-se que uma parede seja revestida com compensado com tratamento antichama, fixado rigidamente, com espessura de 20 mm e altura de 2,4 m, capaz de sustentar equipamentos e terminações;

3.   Os interruptores de luz devem ser de fácil acesso e devem ser localizados próximos à entrada da sala; recomenda-se uma altura de instalação de 1,10 m a partir do piso acabado;

4.   A abertura da porta da sala de equipamentos deve ser de tamanho adequado para permitir a passagem e instalação dos equipamentos;

5.   O piso, as paredes e o teto devem ser construídos de modo a reduzir a quantidade de pó e/ou contaminantes no interior do espaço;

6.   Os acabamentos devem ser de cor clara para melhorar a iluminação do espaço e devem ser selecionados materiais de piso com propriedades antiestáticas;

7.   Circuitos elétricos independentes devem ser dimensionados para a alimentação dos equipamentos instalados no espaço;

8.   Considerações climáticas devem ser aplicadas nas salas de equipamentos e salas de telecomunicações; recomenda-se que a temperatura do ar no ambiente, no interior do espaço, permaneça entre 18ºC e 27ºC. A umidade relativa do ar deve ser no mínimo de 30% e no máximo 60%. A temperatura máxima do ponto de condensação deve estar entre 5,5 ºC e 15 ºC, dependendo da umidade relativa do ar. A máxima variação de temperatura do ar ambiente é de 5 ºC em 1 h;

9.   O aterramento e a equipotencialização devem atender às especificações da ABNT NBR 5410;

10.   As medidas de proteção contra sobre tensão e descargas atmosféricas devem atender às especificações da ABNT NBR 5410 e ABNT NBR 5419.

 

Para as salas de equipamentos são exigidos os seguintes critérios:

1. Deve ser preparada para conter equipamentos de telecomunicações, redes, terminações dos cabos e distribuidores associados;

2. Deve ser dedicada à função de telecomunicações e redes;

3. O acesso a este espaço deve ser restrito ao pessoal de manutenção autorizado;

4. Deve apenas abrigar os equipamentos diretamente relacionados ao sistema de cabeamento estruturado e telecomunicações;

5. Deve conter os sistemas de suporte à segurança, incêndio e ao meio ambiente;

6. Deve evitar áreas que possam limitar a sua expansão, como elevadores e paredes fixas. Quando possível, em um edifício de múltiplos andares, recomenda-se que a sala de equipamentos seja localizada no andar intermediário para possibilitar um fácil acesso do cabeamento à sala de telecomunicações nos outros andares;

7. Deve ser localizada em uma área que permita a expansão futura e ser acessível aos elevadores de carga para entrega de equipamentos de grande porte;

8. Deve ser localizada acima do nível da água e protegida de infiltrações, evitando-se a presença de canos de água e de drenagem. Sistemas de drenagem no piso são recomendados se houver riscos de ingresso de água neste espaço;

 

 


 

O Manual de métodos de distribuição de telecomunicações da BICSI é baseado nas normas Americanas ANSI/TIA/EIA, que é também utilizado como fonte de boas práticas para telecomunicações e define alguns parâmetros para dimensionar estas salas.

 

De acordo com o Manual da BICSI, os seguintes critérios devem ser seguidos:

 

Salas de Equipamentos:

Ao projetar o espaço, o arquiteto deve consultar o cliente/usuário para que seja feito estudo e posterior escolha da melhor área que viabilize na totalidade as necessidades do local: espaço deve ser suficiente para os equipamentos planejados, acesso aos equipamentos para manutenção, administração e futuro crescimento.

Quando não se tem conhecimento de quais são e quantos serão os equipamentos utilizados, é possível usar a área do piso que a sala irá atender para determinar o tamanho mínimo do local dos equipamentos, dividindo-se a área do piso útil por 10 m² (média da indústria) para determinar o número de áreas de trabalho, as ATRs.

Se as ATRs são menores, o tamanho de uma sala de equipamentos deve ser aumentado proporcionalmente e multiplicando-se por 0,07 m². Se existirem menos que 200 ATRs, a sala de equipamentos não deve ser menor do que 14 m². Para edificações especiais como hospitais e hotéis, os requisitos de tamanho da sala de equipamentos podem variar.

Salas de Telecomunicações:

O tamanho da sala de telecomunicações está diretamente ligado aos serviços de telecomunicações que atenderá e ao espaço útil das edificações:

Área atendida:

Até 500 m²

De 501 a 800 m²

De 801 a 1000 m²

Dimensões mínimas:

3,0 m x 2,1 m

3,0 m x 2,7 m

3,0 m x 3,4 m

 

 

 

 

 

Deve-se considerar um distribuidor de piso (Racks e/ou gabinete ou nova sala) para cada 1000 m² de área reservada para escritórios (área útil).

 

Edificações menores:

Em edifícios pequenos, espaços menores são necessários para atender às necessidades de distribuição de telecomunicações dos seus ocupantes:

– Se a área atendida for menor que 100 m² ela poderá ser atendida por gabinetes de parede, gabinetes reservado ou gabinetes embutidos.

– Se a área atendida estiver entre 100 e 500 m²poderá ser atendida por armários superficiais

 

Layout para armário superficial/raso ou ponto de acesso.
Layout para sala de telecomunicações pequena.

 

 

 

Conclusão:

Projetar espaços de telecomunicações não é uma tarefa fácil!

Devido à importância que os recursos tecnológicos representam para a maioria das atividades empresariais, o profissional deverá estar preparado para entender as necessidades operacionais e os aspectos técnicos necessários aplicados a estas áreas.

Um bom projeto de arquitetura é aquele que, unindo soluções de qualidade, praticidade e versatilidade, atende a todas as necessidades do cliente e mantém-se dentro das normas e regras determinadas pelo órgão que rege a categoria.

Com isso, consegue-se evitar que empresas tenham seus equipamentos e comunicação afetados por erros de instalação, com suas redes no limiar de um colapso devido às falhas em projetos, poupando reinvestimentos e reformulações do mesmo.

Com uma comunicação livre de ruídos e falhas, consegue-se um melhor resultado na atividade desenvolvida.

 


 

Fontes:

ABNT NBR 14565:2013

ABNT NBR 16415:2015

Cabeamento Estruturado – Projeto e Instalação – Paulo Sérgio Marin

Manual de Métodos de Distribuição de Telecomunicações – BICSI – 1ª Edição

 

 

Por: Aparecido C. da Silva – Engº Eletricista

Dir. Técnico – Tecnolan Cabeamento de Redes Ltda

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